NEXTTHOUSE©2024

Caixas acústicas francesas

Focal em São Paulo

Caixas acústicas Focal integradas a home cinema privativo NEXTTHOUSE, em sala escura com iluminação de acento e tela de projeção.

A Focal fabrica alto-falantes em Saint-Étienne, na França, desde 1979. Jacques Mahul fundou a empresa para fazer o que quase ninguém faz: projetar e produzir os próprios transdutores. A maioria das marcas compra driver de terceiros e desenha gabinete e divisor em cima do que o mercado oferece; na Focal, o driver vem primeiro e a caixa existe para ele.

A NEXTTHOUSE representa a Focal em São Paulo. Esta página cobre o lineup atual: caixa aparente, embutir em parede e teto, linha externa e eletrônica. Boa parte do que circula em busca está desatualizada, e há nomes de modelo em revenda que não existem mais.

O que a Focal representa

A empresa tem cerca de 300 funcionários e produz na própria fábrica os domos de berílio puro — material que quase ninguém consegue conformar em folha fina o bastante para virar tweeter. Em 2011 a Focal se fundiu com a britânica Naim Audio; em 2014 o grupo passou a se chamar Vervent Audio Group. Em 2024 entrou no Comité Colbert, o consórcio das marcas de luxo francesas.

Em 13 de maio de 2026 a Barco concluiu a compra da VerVent, a holding que reúne Focal e Naim, e as duas passaram a operar como unidade de consumo dentro da divisão de entretenimento do grupo belga. Para quem projeta sala dedicada isso deixou de ser nota de rodapé: projeção, caixas e eletrônica passaram a ter o mesmo dono — e a NEXTTHOUSE representa as três.

Fabricar o próprio driver é o que permite ajustar rigidez, amortecimento e comportamento magnético caso a caso — cada tecnologia abaixo resolve um problema físico.

As tecnologias, e o que cada uma resolve

Caixa acústica de coluna Focal em laca azul alto brilho, três vias, com gabinete modular articulado

Berílio puro. Para massas iguais, é sete vezes mais rígido que titânio ou alumínio, e a onda se propaga por ele três vezes mais rápido que no titânio e duas vezes e meia mais rápido que no alumínio. Isso empurra a primeira quebra de modo do domo para muito acima da banda audível — o tweeter cobre mais de cinco oitavas, de 1.000 Hz a 40 kHz, com resposta linear.

Membrana “W”. Duas lâminas de fibra de vidro sobre núcleo de espuma estrutural. Variando lâminas e espessura, a Focal calibra rigidez e amortecimento driver a driver. É 20 vezes mais rígida que Kevlar, com massa menor.

Flax. Núcleo de linho francês entre duas lâminas de fibra de vidro, patenteado em 2013. A fibra de linho é oca, e por isso pesa metade da de vidro, com amortecimento comparável ao do Kevlar — rigidez alta e massa baixa ao mesmo tempo, o par difícil de conciliar num cone.

IAL (Infinite Acoustic Loading). Câmara em forma de pavilhão atrás do tweeter, que absorve progressivamente a onda traseira. A impedância acústica tende a zero e o domo se move sem “sentir” o ar atrás dele. Isso derruba a ressonância do tweeter para bem abaixo de 1 kHz e permite cruzá-lo mais baixo. IAL2 na Utopia e na Diva; IAL3 na Kanta. Na Sopra a variante é o IHL, logo abaixo.

IHL. A variante da Sopra: a onda traseira sai por um pavilhão externo preenchido com absorvente, em vez de ocupar volume do gabinete. Resolve o conflito entre carregar bem o tweeter e não roubar volume interno. Rende 30% menos distorção entre 1,5 e 4 kHz.

TMD (Tuned Mass Damper). Contrapesos toroidais sobre a suspensão do driver, que tem comportamento errático entre 1 e 2 kHz — é isso que suja o médio. Os anéis de massa sintonizada estabilizam a região.

NIC (Neutral Inductance Circuit). Anel de Faraday otimizado para manter o campo magnético estável independentemente da posição e da corrente da bobina. Sem ele, a indutância varia com a excursão do cone e modula o próprio sinal.

PRISM. A novidade de 2025/2026: microestruturação fotônica inspirada em asas de libélula, mais camada de carbono amorfo. A Focal a posiciona como sucessora do berílio, após quinze anos de pesquisa. Existe em dois produtos apenas — o Scala Utopia Evo M e a Diva Alta Utopia.

Slatefiber e Polyglass fecham o quadro, nas linhas de entrada e na 100 Series. O Slatefiber é fibra de carbono reciclada em polímero.

Por que ela importa num projeto de alto padrão

Porque a Focal cobre a casa inteira sem trocar de linguagem sonora. O mesmo fabricante entrega a torre da sala de música, o frontal do cinema, o par de teto do corredor, o subwoofer enterrado no jardim e o processador que aciona tudo. Quando os drivers vêm da mesma engenharia, passar de um ambiente ao outro não muda o timbre.

O segundo argumento vem da fusão com a Naim: mesmo grupo significa aplicativo único, pareamentos previstos de fábrica e linha de integração conjunta — eletrônica Naim CI no rack técnico acionando caixas Focal de embutir. Num projeto de arquitetura, isso reduz fornecedores, padrões de grade e sistemas de controle.

E há a escala: a Focal vai do Theva ao Grande Utopia EM Evo sem descontinuidade de conceito. Quem começa com Vestia na sala evolui para Kanta ou Sopra anos depois sem que o resto do projeto vire refugo.

Como a NEXTTHOUSE projeta e integra

A primeira decisão quase nunca é qual caixa. É o que aparece e o que desaparece. Sala com par aparente, cinema embutido atrás de tela acústica e áreas sociais em teto e jardim são três problemas distintos, e a linha certa muda em cada um.

A segunda é de obra, e tem prazo. Recorte, profundidade na laje, previsão de baffle wall no cinema e infraestrutura externa se resolvem antes de o gesseiro fechar o forro. Um Utopia Cinema LCR exige 326 mm de profundidade — não é decisão de mobília, é de projeto executivo.

A terceira é o casamento entre caixa e eletrônica, e aqui seguimos o pareamento oficial de subwoofer por linha: Sopra com SW 1000 Be, Kanta e Aria Evo X com SUB 1000F, Vestia e Theva com SUB 600P.

Por fim, a calibração. Numa sala imersiva, o Astral 16 traz Dirac Live com microfone incluso, e a medição é feita em modo de integrador, não no automático. Em dois canais, o trabalho é de posicionamento e tratamento.

Linhas e modelos que integramos

Utopia III Evo M

A geração mais nova, com um único modelo por enquanto: o Scala Utopia Evo M. Torre de três vias com tweeter PRISM de 27 mm em perfil “M”, 92 dB, 27 Hz a 40 kHz e 85 kg — a primeira caixa da marca a abandonar o berílio no topo.

Utopia III Evo

Segue em produção em paralelo com a Evo M — uma não substituiu a outra. É a família de referência, feita à mão na França.

  • Grande Utopia EM Evo — quatro vias, woofer de 40 cm com eletroímã, 94 dB, 18 Hz a 40 kHz, 265 kg. O modelo-símbolo da marca.
  • Stella Utopia EM Evo — a segunda com woofer de eletroímã.
  • Maestro Utopia Evo — o topo com ímã permanente.
  • Scala Utopia Evo — a torre de entrada da família.
  • Viva Utopia Colour Evo e Diablo Utopia Colour Evo — central e monitor de estante, com acabamentos coloridos.
  • SUB Utopia EM Colour Evo — subwoofer passivo, empilhável em até três unidades.

O salto que importa é de Maestro para Stella, e é técnico: entra o woofer de eletroímã, que troca o ímã permanente por bobina alimentada e permite ajustar o amortecimento do grave — adequar o woofer à sala em vez de aceitar o que o ímã impõe.

Sopra

Continua na geração original — não existe “Sopra Evo”. São a N°3, a N°2, a N°1 de estante, o Center, o Surround Be e o subwoofer ativo SW 1000 Be (600 W, 20 Hz).

É a única linha com IHL e a única com central e surround dedicados de berílio — daí ser a escolha natural para home theater de referência com caixas aparentes: o timbre não muda quando o efeito passa da frente para o lado.

Kanta

N°3, N°2, N°1 e Center. Combina cone Flax com tweeter de berílio IAL3 — é onde o berílio entra em orçamento realista. Com acabamentos coloridos, é a linha que arquitetos mais especificam.

Aria Evo X

N°4, N°3, N°2, N°1 e Center. Cone Flax com tweeter de alumínio-magnésio — não é berílio, e vale dizer com clareza. A fronteira é limpa: da Aria Evo X para cima, o cone é Flax; para baixo, Slatefiber. Atenção ao comprar: esta linha substituiu a Aria 900, e os modelos 926, 936, 948, 906 e CC900 estão descontinuados — mas seguem em anúncio de revenda como se fossem atuais.

Vestia

N°4 a N°1 e Center, com cone Slatefiber. Substituiu a Chora, e é a melhor relação custo-resultado quando o orçamento precisa cobrir muitos ambientes.

Theva

N°3, N°2, N°1, Center e Surround, também em Slatefiber. E a Theva N°3-D, torre com driver Dolby Atmos integrado disparando para o teto: onde furar a laje é inviável ou proibido, ela entrega a camada de altura por reflexão, sem obra.

Diva Utopia — ativas e sem fio

A resposta da Focal para “quero som Utopia sem rack e sem cabo de caixa, ligado direto na TV”.

  • Diva Alta Utopia — quatro vias, com tweeter PRISM.
  • Diva Mezza Utopia — o modelo intermediário.
  • Diva Utopia — três vias, tweeter de berílio IAL2, quatro woofers em push-push, 250 W classe AB no grave mais 75 W no médio e 75 W no agudo por caixa. HDMI eARC com CEC, Wi-Fi 6, 27 Hz a 40 kHz, 64 kg.

O eARC com CEC é o que faz a categoria funcionar: a TV vira a fonte e o controle dela comanda o volume.

Subwoofers

  • SW 1000 Be — 600 W, 20 Hz. Par oficial da Sopra.
  • SUB 1000F — 1.000 W, gabinete selado, cone Flax. Par oficial da Kanta e da Aria Evo X.
  • SUB 600P — selado, cone Polyflex. Par oficial da Vestia e da Theva.
  • SUB Air — plano e sem fio, para quando não há lugar para um subwoofer convencional.

Eletrônica — Astral 16

Processador A/V com amplificação embutida, raro nessa categoria: dezesseis canais, sendo doze amplificados e quatro pré-amplificados em XLR. Classe D com módulos Pascal Audio, Dolby Atmos, DTS:X e Auro-3D, e calibração Dirac Live com microfone incluso. Drivers nativos para Control4, Crestron, Elan, Savant e RTI — entra na automação como dispositivo de primeira classe, não por infravermelho.

Fones de ouvido

A Focal também fabrica fones de ouvido, e não como linha acessória: é um ramo de primeiro nível do catálogo, com os transdutores montados na França. São dez modelos correntes, organizados por material de domo e tipo de concha. Para escuta em casa, os abertos Utopia, de berílio puro, Clear MG, de magnésio, e Hadenys, em liga de alumínio e magnésio. Para ouvir sem vazar som para o ambiente, os fechados Stellia e Azurys. Para ambiente ruidoso, os sem fio com cancelamento ativo Bathys e Bathys MG, que em modo USB-DAC funcionam como placa de som do computador. E três de monitoração de estúdio: Clear Mg Professional, Lensys Professional e Listen Professional.

Áudio embutido, teto e área externa

Esta é a parte que decide projeto residencial integrado, e a que costuma ser tratada como acessório. A árvore oficial separa Indoor — Utopia Cinema, 1000, 300 e 100 Series e On Wall — de Outdoor, com Littora e as 100 Series OD.

O quadro que decide a especificação

100 Series 300 Series 1000 Series
Membrana Polyglass Flax “W”
Tweeter alumínio alumínio-magnésio berílio puro
Agudo até 23 kHz 28 kHz 40–44 kHz
Recorte (6,5″) Ø184 mm Ø216 mm Ø216 mm
Profundidade 82–91 mm ~100 mm ~100 mm
Área úmida sim não alegado não alegado
Vocação casa inteira, multiroom, área molhada e externa meio-termo cinema dedicado

A 100 Series é a única que resolve o difícil. Recorte de 184 mm e profundidade de 82 a 91 mm cabem onde as outras não cabem — laje rasa, viga, forro comprometido. E é a única com aprovação para área úmida, versões externas IP66 e variante comercial em 70V/100V (a 100-T Series). Banheiro, varanda, área de piscina e corredor com muitos pontos são dela.

A 1000 Series alinha na parede. Toda a família de parede compartilha 276 mm de largura de recorte e 98,3 mm de profundidade: esquerda, centro, direita e subwoofer usam o mesmo detalhe construtivo. Para um arquiteto, é o argumento decisivo — marcenaria e drywall viram um detalhe repetido, não quatro exceções.

100 Series

ICW5, ICW6 e ICW8 para teto e parede; IC6ST, com estéreo completo num gabinete só, para corredor, lavabo e escada; IW6 de parede; IWLCR5 e ICLCR5 para frente e centro; IWSUB8, subwoofer de parede passivo; e as externas OD6 e OD8, com IP66. Nota de nomenclatura, porque gera erro de compra: as OD6 e OD8 pertencem à 100 Series, não à Littora.

300 Series

300 ICW4, 300 ICW6, 300 ICW8, 300 IW6, 300 ICLCR5, 300 ICA6 e 300 IWLCR6. O modelo que se destaca é o 300 IWLCR6, cujo conjunto médio-agudo gira 90°: a mesma caixa serve na vertical, como frontal, ou na horizontal, como central sob a TV, sem perder a orientação da dispersão.

1000 Series

A linha de cinema dedicado, com membrana “W” e tweeter de berílio puro.

  • ICW6 e IW6 — teto e parede.
  • ICA6angulado a 35° de fábrica, para pé-direito alto, onde um driver de teto apontado reto para baixo passa longe do ouvinte.
  • ICLCR5 e IWLCR6 — frente e centro.
  • IWLCR Utopia — 92 dB, quatro graves, dois médios e tweeter de berílio: o frontal de embutir de referência da marca.
  • IWSUB Utopia — subwoofer de parede com três drivers de 16,5 cm.

Utopia Cinema

Cinema LCR e Cinema SUB, para salas de até 200 m². Um aviso que precisa aparecer no projeto executivo, não na entrega: são 326 mm de profundidade, exigem baffle wall prevista em projeto e não cabem em drywall convencional. Decidir por Utopia Cinema depois que a alvenaria subiu significa refazer a parede.

On Wall

As 301 e 302, de sobrepor, mais o pedestal. Resolvem parede de concreto sem vão para embutir e reforma sem quebra.

Littora — a linha externa

  • Littora 200 ICW 6 e ICW 8 — embutir externo IP65, para varanda coberta e área gourmet.
  • Littora 1000 ICW 8, ICW 10 e ICW SUB10 — o topo da externa, com berílio e certificação de salt spray. É essa certificação que viabiliza casa de praia: em maresia, alto-falante comum degrada em uma temporada.
  • OD Sat 5, OD Stone 8 — em formato de pedra — e OD Sub 12, enterrado: a família de jardim, que distribui som sem aparecer.

Perguntas frequentes sobre a Focal

Qual a diferença entre as linhas de embutir 100, 300 e 1000 Series?

Membrana, tweeter e — o que mais pesa na obra — recorte e profundidade. A 100 Series é Polyglass com tweeter de alumínio, e é a única com recorte pequeno (Ø184 mm no 6,5″), 82 a 91 mm de profundidade, aprovação para área úmida, versões IP66 e variante em 70V/100V: é a linha de casa inteira. A 300 Series, com Flax e alumínio-magnésio, é o meio-termo. A 1000 Series usa membrana “W” e berílio puro, e é a de cinema dedicado — com a vantagem de projeto de ter recorte e profundidade únicos em toda a família de parede.

A Aria 926 ainda existe?

Não. A Aria 900 inteira saiu de linha — 926, 936, 948, 906 e a central CC900. A atual é a Aria Evo X, com N°1 a N°4 e Center, que mantém cone Flax e tweeter de alumínio-magnésio em projeto novo de gabinete e divisor. Vale conferir antes de comprar: boa parte das análises que aparecem em busca é da geração anterior, e anúncio de “Aria 926 nova” hoje é estoque remanescente ou produto usado. O cuidado vale na direção oposta também — não existe “Sopra Evo”: a Sopra segue na geração original.

Dá para fazer Dolby Atmos sem furar o teto?

Dá. A Theva N°3-D é uma torre com driver Dolby Atmos integrado disparando para cima, que forma a camada de altura por reflexão no teto. Em apartamento com laje protendida, em condomínio que não autoriza furação ou em reforma com o forro já fechado, é o caminho que entrega Atmos sem obra. Onde há forro rebaixado, caixas de teto dedicadas continuam melhores — a 100 Series resolve com pouca profundidade, e a 1000 Series tem o ICA6 angulado a 35°. É restrição de obra, não gosto.

O que o berílio muda na prática?

Muda onde o tweeter começa a se comportar mal. Todo domo tem uma frequência em que deixa de se mover como pistão e passa a vibrar em modos próprios — é aí que nasce a aspereza no agudo. A rigidez do berílio empurra essa quebra de modo para muito acima da banda audível, e o resultado é um tweeter linear de 1.000 Hz a 40 kHz, cruzável bem mais baixo. Em caixa aparente, ele começa na Kanta; no embutir, na 1000 Series. O PRISM é apresentado como sucessor dele, por ora restrito ao Scala Utopia Evo M e à Diva Alta Utopia.

Focal e Naim funcionam bem juntas?

Funcionam, e não por coincidência de mercado: estão no mesmo grupo desde 2011 — o Vervent Audio Group, nome adotado em 2014 — e desde abril de 2026 sob a Barco, que comprou a VerVent. Isso rende três coisas concretas em projeto: aplicativo único, com o mesmo app controlando streaming e multiroom; pareamento previsto de fábrica entre eletrônica Naim e caixas Focal; e, o que mais pesa em obra, a linha CI conjunta — amplificadores Naim CI no rack técnico, com Euroblock e drivers nativos para Control4, Crestron, Savant, Elan e RTI, acionando caixas Focal de embutir pela casa inteira. Um único fornecedor do rack ao alto-falante.

Projetos com Focal em São Paulo

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