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Streaming e amplificação britânica

Naim Audio em São Paulo

A Naim faz eletrônica de áudio em Salisbury, na Inglaterra, desde 1973. É uma das poucas marcas que ainda projeta e monta no mesmo lugar, e uma das que organiza a linha inteira em torno de uma ideia teimosa: a alimentação elétrica é um componente de áudio, não infraestrutura.

A NEXTTHOUSE representa a Naim em São Paulo. Este texto explica o que a marca é hoje — e o que ela deixou de ser, porque a linha mudou bastante e muita informação desatualizada ainda circula.

O que a Naim representa

Julian Vereker fundou a Naim porque não conseguia gravar um concerto e reproduzi-lo de forma reconhecível. A engenharia que saiu dali tem marcas próprias: chapa grossa de alumínio quando a indústria usava aço fino, circuitos discretos onde caberia um circuito integrado pronto, e transformadores dimensionados com folga.

Hoje a Naim integra a VerVent — desde 13 de maio de 2026 sob controle da Barco, que comprou a holding inteira —, mesmo grupo da francesa Focal — o que na prática significa um app único, pareamentos pensados em conjunto e uma linha de integração compartilhada entre eletrônica Naim e caixas embutidas Focal.

O que separa a Naim tecnicamente

Regulador discreto (DR). Em vez de um circuito integrado regulador de prateleira, a Naim monta o regulador de tensão com componentes discretos. A função é entregar corrente contínua limpa e estável a cada seção do circuito, separadamente. Aparece dentro dos produtos e também nas fontes externas — o NPX 300 tem seis reguladores DR alimentando cada seção do componente parceiro de forma independente.

Transistores NA009. Desenvolvidos para o Statement, o produto de topo absoluto, e depois aplicados por herança ao NAP 500 DR, ao NAP 350 e à sexta geração do NAP 250.

Volume sem potenciômetro. No NAC 332, o controle de volume são resistores fixos de precisão comutados por relés reed — cem passos, nenhum potenciômetro no caminho do sinal. É arquitetura que veio do Statement.

Plataforma de streaming própria. Desenvolvida internamente ao longo de três anos, com processamento SHARC de 40 bits em ponto flutuante. O clock do conversor comanda o fluxo de dados, e não o contrário. É o que unifica Mu-so, Uniti, New Classic e ND 555 sob o mesmo aplicativo e o mesmo multiroom.

Por que ela importa num projeto de alto padrão

A Naim resolve um problema que quase nenhuma marca resolve bem: como o sistema cresce depois.

Na maioria das marcas, evoluir significa vender o que você tem e comprar o modelo de cima. Na Naim, o caminho é outro. Quase todo componente nasce com uma fonte de alimentação interna competente. Quando você acopla uma fonte externa por cabo Burndy, a fonte interna é desligada e a externa assume. O componente principal passa a fazer uma coisa só — tratar o sinal — e a alimentação sai para um chassi separado, longe dos transformadores e do ruído da rede elétrica.

O ganho é audível sem trocar o componente. E o investimento anterior continua no sistema. Para um cliente que está montando o sistema por etapas, ao longo de anos, isso muda o cálculo.

A escada de fontes externas atual

  • NPX TT — dedicada ao pré de phono NVC TT.
  • NPX 300 — para NSC 222, NSS 333 e NAC 332. Pode ser empilhada: mais de um NPX 300 no mesmo sistema. Usa cabos Burndy separados para os trilhos digital e analógico.
  • NAPS 555 DR — o topo. Sete tensões reguladas, uma delas dedicada exclusivamente ao clock, e transformador 40% maior que o da geração anterior. Alimenta o ND 555.

As fontes XPS DR, HiCap DR, SuperCap DR, FlatCap XS e NAPSC 2 pertencem à geração anterior e saíram de linha. Há uma base instalada enorme delas no Brasil, e elas continuam funcionando — só não são o que se especifica num projeto novo.

Como a NEXTTHOUSE projeta e integra

Um sistema Naim não se resolve escolhendo produtos num catálogo. Ele se resolve decidindo onde o sistema começa e para onde ele vai, porque a arquitetura da marca é feita para crescer.

Na prática, o projeto define três coisas: qual o par de caixas acústicas que a sala comporta, qual o ponto de entrada na linha que faz sentido para o momento do cliente, e qual a sequência de evolução — normalmente fonte externa antes de troca de componente.

Também tratamos a parte que costuma ser ignorada: o rack e a rede. Streaming de alta resolução depende de rede estável, e a Naim é sensível a posicionamento, aterramento e roteamento de cabo. Um NSS 333 mal instalado soa pior que um Uniti Atom bem instalado.

Quando o projeto quer o caminho oposto — transporte, conversão e tela num objeto só, em vez de caixas separadas que crescem por etapas —, a conversa vira HiFi Rose. As duas resolvem streaming de alta resolução; o que muda é quantas caixas ficam na estante e como o sistema evolui depois.

Linhas e modelos que integramos

New Classic 300 Series

O topo da linha modular de produção corrente, em chassi de 43,2 cm.

  • NSS 333 — streamer de rede. Processamento SHARC 40 bits, WAV até 32 bits/384 kHz, DSD 64/128, saídas XLR, RCA e DIN. Display colorido de 5,5″. Roon Ready, AirPlay 2, Chromecast, Tidal, Qobuz e Spotify Connect. Aceita NPX 300.
  • NAC 332 — pré-amplificador analógico. Oito entradas mapeáveis, saídas XLR e RCA, saída de fone com amplificador classe A de 1,5 W em 16 Ω. Aceita NPX 300.
  • NAP 350 — potência mono, classe AB, 175 W em 8 Ω e 345 W em 4 Ω, com pico de até 1,7 kW. Transistores NA009. Usado em par.
  • NVC TT — pré de phono MM e MC, com dezesseis valores de carga resistiva e dezesseis de capacitiva para cápsulas de bobina móvel.
  • NPX TT — fonte externa dedicada ao NVC TT.

New Classic 200 Series

Pré-amplificador com streamer Naim NSC 222, da linha New Classic 200 Series
Naim NSC 222 — pré-amplificador com streamer, phono MM e saída de fone integrados.

A entrada na linha modular atual — e, para a maioria dos projetos, o ponto de partida mais equilibrado.

  • NSC 222 — pré-amplificador com streamer integrado. Resolve streaming, vinil e fone num único componente: tem phono MM embutido e saída de fone de 1,5 W em 16 Ω. Aceita NPX 300.
  • NAP 250 — potência estéreo, sexta geração de um projeto de 1975. Classe AB, 100 W por canal em 8 Ω, duas entradas XLR verdadeiramente balanceadas, transistores NA009.
  • NPX 300 — a fonte externa que faz o 200 Series evoluir sem troca de componente.

500 Series

A linha de referência, que não foi substituída pelo New Classic e segue em produção.

  • ND 555 — network player de referência, com conversor R2R em escada e sub-chassi suspenso com placas de latão. Trabalha com o NAPS 555 DR.
  • NAC 552 — pré-amplificador em duas caixas, transformador toroidal de 800 VA, sub-chassi de latão suspenso em molas.
  • NAP 500 DR — potência de 140 W por canal em 8 Ω, estável em 2 Ω, com dez estágios de regulação local por canal e fonte de 1.100 VA em chassi separado.

Statement

O par NAC S1 e NAP S1, o extremo do que a marca produz. Cada monobloco NAP S1 é um projeto em ponte duplo sem realimentação global, com transformador de 4.000 VA e 746 W em 8 Ω. Estrutura vertical, com a fonte na base e a eletrônica sensível no topo, separadas por uma peça central em acrílico.

Uniti

Amplificadores com streaming integrado — um chassi, um par de caixas, sistema pronto.

  • Uniti Atom — 40 W por canal em 8 Ω, classe AB, chassi compacto de 24,5 cm, display de 5″, HDMI ARC.
  • Uniti Nova — 80 W por canal em 8 Ω, chassi cheio, mais opções de entrada.
  • Uniti Nova PE — 150 W por canal em 8 Ω e 250 W em 4 Ω, em classe D. É o que resolve sala grande ou caixa acústica difícil sem partir para separados.
  • Uniti Atom Headphone Edition — não aciona caixas passivas. É conversor, pré e amplificador de fone, com saídas 6,35 mm, Pentaconn 4,4 mm e XLR de 4 pinos.

Mu-so

Mu-so 2ª geração — sistema estéreo de três vias com 450 W distribuídos em seis amplificadores, HDMI ARC, e multiroom com até seis streamers Naim. É a porta de entrada da marca e resolve cozinha, home office, suíte e varanda coberta.

CI Series — a linha de integração

Esta é a família que torna a Naim viável num projeto de arquitetura, onde o equipamento precisa desaparecer dentro do rack técnico.

  • CI-Uniti 102 — streamer e amplificador rackeável, 150 W em 8 Ω e 260 W em 4 Ω, com HDMI eARC, Wi-Fi 6, Ethernet gigabit e drivers nativos para Control4, Crestron, Elan, RTI e Savant. Perfis de caixa e equalização por ambiente pelo aplicativo.
  • CI-NAP 108 — potência de oito canais, 150 W em 8 Ω por canal, com entradas e saídas em série, Euroblock e desligamento automático por ausência de sinal.
  • CI-NAP 101 — mono de alta potência com linha de tensão: 500 W em 8 Ω, 800 W em 4 Ω, 240 W em 100 V e 150 W em 70 V. Para subwoofer, caixa embutida exigente ou área grande em linha de tensão.

O que saiu de linha — e por que isso importa

A Naim renovou boa parte do catálogo, e a informação antiga continua circulando em busca e em anúncio de revenda. Vale saber o que não é mais lineup:

  • Os amplificadores integrados acabaram. NAIT 5si, NAIT XS 3, SUPERNAIT 3 e o comemorativo NAIT 50 saíram todos de linha. O integrado da Naim hoje é o Uniti Nova, ou o par NSC 222 e NAP 250.
  • A série Classic anterior saiu inteira: NAC 202, 252 e 282, NAP 200 DR, 250 DR e 300 DR, e as fontes XPS DR, HiCap DR e SuperCap DR.
  • Os streamers NDX 2 e ND5 XS 2 saíram. Os atuais são o NSS 333 e o ND 555.
  • O toca-discos Solstice foi série especial limitada e está esgotado. Os pré de phono SuperLine e StageLine também saíram; o phono atual é o NVC TT.
  • Uniti Core, Uniti Star e Mu-so Qb 2ª geração saíram de linha, apesar de o Qb ainda aparecer como produto relacionado no site do fabricante.

Equipamento descontinuado não é equipamento morto. Se você tem um sistema Classic anterior, ele continua sendo um bom sistema e nós continuamos atendendo. O que muda é o que faz sentido especificar num projeto novo.

Perguntas frequentes sobre a Naim

A Naim ainda fabrica amplificadores integrados?

Não no formato tradicional. Toda a linha NAIT saiu de produção — NAIT 5si, NAIT XS 3, SUPERNAIT 3 e o comemorativo NAIT 50. O que cumpre esse papel hoje é o Uniti Nova, que é um integrado com streaming embutido, ou o par NSC 222 e NAP 250, que separa pré e potência em dois chassis. Anúncio de NAIT novo à venda hoje é estoque remanescente ou produto usado.

O que é a fonte externa da Naim e por que ela muda o som?

É um chassi separado que contém apenas a alimentação elétrica. Quando você conecta uma fonte externa como o NPX 300 a um NSC 222, a fonte interna do NSC 222 é desligada e a externa assume. Duas coisas melhoram: a alimentação passa a ser regulada por seção, de forma independente, e o transformador sai de dentro do chassi onde está o circuito de sinal. O resultado é mais definição e mais estabilidade no grave, sem trocar nenhum componente do sistema.

Dá para instalar Naim num projeto onde nada pode aparecer?

Sim, e é exatamente para isso que existe a linha CI. O CI-Uniti 102 e os amplificadores CI-NAP são rackeáveis, têm conexão Euroblock, desligamento automático e drivers nativos para Control4, Crestron, Savant, Elan e RTI. Ficam no rack técnico e acionam caixas embutidas — normalmente Focal, que é do mesmo grupo e tem pareamento previsto. O cliente vê a casa; o equipamento fica no closet técnico.

Meu equipamento Naim antigo continua tendo suporte?

Continua. A Naim é conhecida por dar longevidade ao produto, e há uma base instalada grande de série Classic anterior no Brasil. O que mudou é a linha de venda, não o atendimento. Em muitos casos, o caminho mais eficiente para melhorar um sistema Classic existente não é trocá-lo, e sim rever instalação, cabeamento e alimentação antes de qualquer coisa.

Projetos com Naim Audio em São Paulo

A NEXTTHOUSE especifica, instala e calibra. Conte o que você quer da sala — nós dizemos o que ela comporta.