Caixas acústicas italianas
Sonus faber em São Paulo

A Sonus faber faz caixas acústicas nas colinas de Vicenza, no norte da Itália, desde 1983. O nome é latim para “o artesão do som”, e a marca escreve o próprio nome com f minúsculo — Sonus faber —, porque o som vem primeiro e o artesão depois.
A fábrica fica em Arcugnano, na província de Vicenza. Na própria informação corporativa, a Sonus faber se declara empresa de sócio único sujeita à direção e coordenação do McIntosh Group — o mesmo grupo da McIntosh. Nenhuma das duas marcas é dona da outra: as duas respondem à mesma holding.
A NEXTTHOUSE representa a Sonus faber em São Paulo. Este texto explica o que a marca resolve tecnicamente, quais coleções existem hoje e — porque a nomenclatura mudou por completo — o que já não é lineup.
O que a Sonus faber representa
A empresa começou fazendo caixas em nogueira maciça e couro, quando quase toda a indústria usava MDF revestido em vinil. Mas o gesto que a tornou reconhecível no mundo inteiro veio dez anos depois: em 1993 nasceu o Guarneri Homage, o primeiro gabinete em forma de alaúde — não uma caixa retangular com cantos arredondados, e sim uma planta assimétrica, em gota, com laterais em dupla curvatura convergindo para a traseira. Trinta anos depois, essa continua sendo a assinatura da marca — e continua sendo, antes de tudo, uma decisão acústica.
A sede fica em Arcugnano, num edifício projetado em forma de violino. Desde 2014 a empresa projeta e fabrica os próprios transdutores — a maioria dos fabricantes high-end compra driver de terceiros. Fora do áudio doméstico, a Sonus faber assina o som de Pagani, Maserati e dos iates Wally.
A filosofia oficial chama-se Natural Sound: materiais naturais sempre que a física permite, afinação final de cada exemplar feita de ouvido e não só por medição, e uma linguagem de design própria.
A forma de alaúde não é decoração

Dentro de uma caixa retangular, as paredes internas são paralelas duas a duas, e paredes paralelas criam ondas estacionárias: a onda emitida pela traseira do cone vai até a parede oposta, volta e se soma a si mesma em certas frequências. Essa energia volta para a sala pelo cone, com atraso, e colore o médio — uma “cor” de caixa que não estava no disco.
No gabinete em alaúde, não existem duas paredes internas paralelas. A dupla curvatura elimina a geometria que produz o problema, em vez de tratá-lo depois com espuma e manta. A forma que o cliente vê como design é a mesma que limpa o médio.
As tecnologias que sustentam o som
- Tweeter DAD (Damped Apex Dome). Num domo de seda comum, o ápice da cúpula entra em comportamento antifásico nas altas, cancelando parte da própria emissão e derrubando a resposta cedo. O DAD amortece esse ápice com um elemento em ponta de flecha (Arrow Point): timbre de domo de tecido com dispersão de ring radiator, e resposta além de 30 a 40 kHz.
- Stealth Ultraflex. A seção exponencial do duto reflex, usinada em alumínio extrudado e visível por fora. Elimina o ruído de turbulência que suja o grave em dutos de tubo comum e, por ser peça metálica maciça atravessando a caixa, enrijece o gabinete.
- Intono (Amati G5, Serafino G2, Stradivari G2, VOX G3). Furação calibrada na câmara do médio. O cone comprime o ar da caixa selada, criando uma mola de ar cuja pressão distorce o próprio movimento do driver; o Intono reduz essa energia. Com a carga mais bem comportada, o crossover usa menos componentes em série.
- Câmara de cortiça. Estreou no Suprema — cortiça reciclada formando o volume acústico, com geometria orgânica obtida por simulação. Hoje no Amati Supreme, Sonetto G2 (V, VIII, Center), Olympica G3 (III, V) e Concertino G4.
- Médio Camelia. A membrana não é circular: é inspirada na flor da camélia, com cinco recortes, o que quebra os modos de ressonância circulares de um cone convencional. Nasceu no Suprema e desceu para Olympica G3 e Sonetto G2 — é o principal argumento de tecnologia de topo na linha média.
- Somam-se o Dual Drive, motor de dois entreferros para força motriz simétrica em todo o curso do cone; a Paracross Topology, que põe os componentes reativos no trilho negativo para reduzir a back-EMF que os drivers devolvem ao filtro; e o ZVT, de desacoplamento.
- Exclusividades de um modelo só: o TMD e o Sound Field Shaper, ambos do Aida — massas suspensas vibrando em contrafase, mesmo princípio dos amortecedores de arranha-céu, e um módulo traseiro que injeta energia controlada no campo reverberante; e o LFA do Stradivari G2, quatro pinos com jumper que alteram o amortecimento do grave sem resistência em série com o sinal.
Por que ela importa num projeto de alto padrão
Porque ela resolve as duas exigências de uma casa de alto padrão com o mesmo objeto. A primeira é óbvia: o sistema tem que soar. A segunda trava mais projeto do que se admite — o equipamento precisa conviver com um projeto de interiores já aprovado. Uma torre de referência é um móvel de mais de um metro no meio do living: se for um bloco preto, briga com o projeto; se for um objeto em nogueira, latão e couro com silhueta desenhada, entra nele.
O segundo argumento é continuidade timbral pela casa inteira: as linhas de embutir Palladio usam o mesmo tweeter DAD da linha de piso — aqui em 29 mm, contra 28 mm nas caixas —, mesma tecnologia de domo amortecido e mesma assinatura de agudo, então corredor, suíte e home office podem soar da família da sala dedicada com um fornecedor só. E a linha Arena leva a marca para dentro do cinema dedicado, com tudo embutido atrás de tela acústica e SPL de verdade — a Arena 30 chega a 122 dB.
Como a NEXTTHOUSE projeta e integra
Um projeto com Sonus faber se decide em quatro perguntas — e nenhuma delas é “qual o modelo mais caro cabe no orçamento”.
A sala comporta a caixa? É a pergunta que mais elimina modelo. O caso extremo é o Stradivari G2: com 71,5 cm de largura e gabinete elíptico, ele foi projetado para gerar uma fonte sonora ampla e exige parede larga atrás e escuta a média ou longa distância. Em sala estreita ou com o sofá perto, entrega menos que um Guarneri G5, que custa bem menos.
Onde vai o subwoofer — e ele vai poder ser alcançado depois? Aqui está o divisor de águas da linha Gravis, detalhado no FAQ abaixo. Em resumo: quando o sub vai dentro da marcenaria — e ele quase sempre vai —, o botão físico deixa de ser acessível no dia em que o ajuste precisa mudar. Em projeto embutido, partimos do Gravis III para cima.
Qual a profundidade real disponível no forro e na parede? A Palladio tem profundidades de embutir de 98 a 220 mm, e a Arena 5 é um embutir raso de 100 mm, que cabe em drywall padrão. Isso precisa entrar no projeto antes de o forro fechar: depois do gesso, a escolha deixa de ser acústica e passa a ser o que couber.
Qual eletrônica revela essa caixa? A marca não fabrica amplificação, e suas caixas de topo são cargas exigentes. Dimensionamos pela impedância e pela sensibilidade reais — um Guarneri G5, com 86 dB, pede muito mais amplificador que um Stradivari G2, de 92 dB, apesar de ser bem menor.
No nosso lineup, essa conta costuma se resolver entre a McIntosh e a Naim: a primeira pelo Autoformer, que tira a impedância da caixa da conta; a segunda por deixar o sistema crescer por etapas, sem refazer o conjunto a cada passo.
Por fim, posicionamento e afinação na sala real: a fábrica afina cada exemplar de ouvido, e entregar esse trabalho intacto depende de toe-in, distância de parede e tratamento de primeiras reflexões.
Coleções e modelos que integramos
Antes: como ler os nomes em 2026
A Sonus faber abandonou o sufixo “Nova” e passou a identificar geração com a letra G: hoje são Amati G5, Guarneri G5, Serafino G2, Stradivari G2, VOX G3, Olympica G3, Sonetto G2 e Concertino G4. Aida, Lilium, Il Cremonese, Suprema e Lumina não usam sufixo. Duas consequências práticas:
- “Olympica Nova” está fora de linha. A atual é a Olympica G3, que não tem modelo “II” — a Nova tinha.
- A Sonetto de primeira geração saiu. A G1 tinha dois canais centrais (Center I e Center II); a G2 tem um único “Sonetto Center”.
Reference — o extremo do que a marca produz
- Suprema — não é um par de caixas, e sim um sistema em quatro partes: duas colunas de 4,5 vias (cerca de 110 kg cada), dois subwoofers passivos que descem a 16 Hz e um crossover ativo dedicado. É onde nasceram a câmara de cortiça e o médio Camelia.
- Aida — 3⅔ vias, 18 Hz, 165 kg. Único modelo com TMD e Sound Field Shaper.
- Lilium — 20 Hz, 103 kg.
- Il Cremonese — a torre de referência de gabinete único. A versão Ex3me usa o mesmo gabinete, com tweeter de 30 mm em berílio revestido de Diamond-Like Carbon e infra-woofers em nanocarbono e Nomex, ganhando 10 Hz de extensão no grave. Berílio e DLC existem só neste modelo em toda a linha Sonus faber. E vale desfazer a confusão vizinha: a Wilson Audio, que ocupa a mesma faixa, não usa nem um nem outro — seus domos são de seda dopada.
Homage — a coleção que carrega a assinatura da marca
Aqui mora a linhagem do Guarneri Homage de 1993, com nomes emprestados dos luthiers de Cremona.
- Amati Supreme — o novo topo da coleção: 4,5 vias, 28 Hz a 40 kHz, câmara de cortiça e tweeter, super-tweeter e médio Camelia idênticos aos do Suprema. Não substitui o Amati G5 — os dois coexistem.
- Amati G5 — a torre de referência da Homage, com Intono.
- Serafino G2 — um degrau abaixo do Amati, para sala média.
- Guarneri G5 — estante de duas vias, 86 dB. O modelo que dá nome à história toda, e o mais exigente de amplificação.
- Stradivari G2 — o outlier deliberado: gabinete elíptico largo e raso, não alaúde, com dois woofers de 260 mm, 92 dB, 25 Hz e 71,5 cm de largura. Traz o LFA.
- VOX G3 — o canal central da coleção, para cinema privativo com Homage nas frentes.
Heritage — materiais naturais em primeiro plano
- Maxima Amator — torre de duas vias em nogueira maciça, mármore Port Saint Laurent e latão.
- Electa Amator III — a versão de estante, nos mesmos materiais.
- Concertino G4 — estante em caixa de cortiça, com couro vegetal Ohoskin, derivado de laranja e figo-da-índia sicilianos.
Olympica G3 — a linha de referência acessível
Estética própria, em alumínio jateado cinza fosco com chanfros polidos a 45°, com médio Camelia e câmara de cortiça nos modelos maiores.
- Olympica I — estante.
- Olympica III — três vias, dois woofers.
- Olympica V — três woofers, para sala grande.
- Olympica Center e Olympica Wall — para fechar o cinema com a mesma família. Vale repetir: não existe Olympica II na geração G3.
Sonetto G2 — a coleção mais completa para home theater
Resolve um sistema multicanal inteiro com timbre homogêneo, sem misturar coleções.
- Sonetto I e Sonetto II — estantes.
- Sonetto III — torre de 2,5 vias.
- Sonetto V — três vias, e o ponto de entrada do médio Camelia em câmara de cortiça na marca.
- Sonetto VIII — mesma arquitetura do V com woofers de 8″.
- Sonetto Center — um único central na geração G2.
- Sonetto Wall — caixa de parede para surround.
Lumina — a porta de entrada
Lumina I, II, III, V e CI, mais as versões II Amator e V Amator. As Amator têm a mesma engenharia da versão padrão, com acabamento superior: a diferença é de matéria-prima e execução, não de projeto acústico. A Lumina V usa a topologia Hybrid IFF–Paracross.
Wireless — sistema completo em um objeto
- Omnia — all-in-one estéreo de quatro vias, com HDMI ARC e entrada de phono: resolve TV e vinil numa peça só.
- Duetto — par ativo em gabinete de alaúde, com 100 W classe AB no tweeter e 250 W classe D no mid-woofer, e HDMI ARC/eARC. É a Sonus faber que dispensa rack.
Gravis — subwoofers ativos
Gravis I, II, III, V e VI. O corte relevante não é de tamanho, e sim de controle: I e II só têm potenciômetros físicos; III, V e VI têm aplicativo, calibração automática de sala, EQ paramétrico, delay e entradas XLR.
Arena — embutir de alto desempenho para cinema dedicado
- Arena 1, 2 e 5 — embutir de parede e teto; a Arena 5 tem 100 mm de profundidade e cabe em drywall padrão.
- Arena 10 — quatro woofers, descendo a 36 Hz.
- Arena 20 — coluna de embutir de 1,58 m, 117 dB.
- Arena 30 e Arena 30H — coluna de 1,77 m, quatro vias com super-tweeter e 122 dB de SPL máximo. A 30H é a versão horizontal, para o central sob a tela.
- Arena S10 e Arena S15 — os subwoofers da família.
Palladio — arquitetura discreta pela casa inteira
É a linha que torna a Sonus faber viável onde nada pode aparecer. Todos os modelos usam o tweeter DAD de 29 mm, o que garante continuidade timbral com a sala dedicada. Profundidades de embutir de 98 a 220 mm.
- Level 6 — PC-662, PC-662P, PC-664P, PC-682, PC-683, PW-662 e PL-664.
- Level 5 — PC-562, PC-562P, PC-563P, PC-582, PW-562 e PL-563.
- PS-G101 — subwoofer de embutir passivo com driver de 250 mm e profundidade de apenas 98 mm. É a solução para grave embutido onde não há altura de forro.
Outdoor
Aster — duas vias com radiador passivo, em gabinete elíptico, para varanda coberta e área externa.
Perguntas frequentes sobre a Sonus faber
Por que o gabinete da Sonus faber tem forma de alaúde?
Por uma razão acústica, não estética — embora o resultado visual seja a assinatura da marca desde 1993. A planta é assimétrica, em gota, com laterais em dupla curvatura convergindo para trás, e o efeito é que não existem duas paredes internas paralelas dentro da caixa. Paredes paralelas geram ondas estacionárias que voltam pelo cone para a sala com atraso e colorem o médio. A Sonus faber elimina a geometria que causa o problema em vez de amortecê-lo depois.
A Olympica Nova ainda existe? O que mudou na nomenclatura?
Não existe mais. A Sonus faber abandonou o sufixo “Nova” e passou a marcar geração com a letra G: hoje são Olympica G3, Sonetto G2, Amati G5, Guarneri G5, Serafino G2, Stradivari G2, VOX G3 e Concertino G4. Duas diferenças importam na compra: a Olympica G3 não tem modelo “II”, que existia na Nova, e a Sonetto G2 tem um único canal central, enquanto a primeira geração tinha dois. Boa parte das análises e dos anúncios que aparecem em busca ainda é da geração anterior — vale conferir o sufixo antes de comprar fora de canal autorizado.
Dá para usar Sonus faber num projeto onde nada pode aparecer?
Dá, e é o que quase ninguém sabe sobre a marca. A Palladio é a linha de embutir arquitetural, com profundidades de 98 a 220 mm e um subwoofer de embutir passivo, o PS-G101, de apenas 98 mm. Todos os modelos usam o tweeter DAD de 29 mm, o que dá continuidade de timbre com as caixas de piso — corredor e suíte soam da mesma família que a sala. A Arena é o embutir de alto desempenho para cinema dedicado, com colunas de até 1,77 m atrás de tela acústica e 122 dB de SPL máximo. O que muda tudo é o momento: essas decisões precisam ser tomadas antes de o forro fechar.
Qual a diferença entre o Amati Supreme e o Amati G5?
O mais importante primeiro: um não substitui o outro. Os dois estão em produção, na mesma coleção Homage. O Amati G5 é a torre de referência da coleção, com Intono na câmara do médio. O Amati Supreme é o novo topo: 4,5 vias, 28 Hz a 40 kHz, câmara de cortiça e tweeter, super-tweeter e médio Camelia idênticos aos do Suprema — ou seja, o caminho mais direto para os transdutores do sistema de referência da marca num gabinete de coluna única. Por isso, dizer só “Amati” em 2026 é ambíguo: qualifique sempre se é o G5 ou o Supreme.
Qual subwoofer Gravis escolher quando o sub vai dentro da marcenaria?
A partir do Gravis III. O corte na linha não é de potência, é de controle. Os Gravis I e II são ajustados apenas por potenciômetros físicos no gabinete. Os Gravis III, V e VI têm controle por aplicativo, com quatro presets, crossover contínuo, até oito filtros de EQ paramétrico, delay, entradas XLR e calibração automática de sala. Em projeto de arquitetura o subwoofer costuma ir para dentro do móvel, atrás de um pano acústico ou embaixo de um banco — e a posição acusticamente correta raramente é a acessível. Quando o botão desaparece na marcenaria, o aplicativo vira requisito de projeto.
Projetos com Sonus faber em São Paulo
A NEXTTHOUSE especifica, instala e calibra. Conte o que você quer da sala — nós dizemos o que ela comporta.