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Processamento de vídeo

madVR em São Paulo

Processador de vídeo madVR Envy Core em perspectiva de três quartos, gabinete preto com tampo e frente perfurados e botão circular na frente

A madVR Labs faz uma coisa só: a linha Envy, uma caixa que entra entre a fonte e o projetor e refaz o trabalho de imagem que o projetor faria sozinho — pior. Não é upscaler de prateleira: é um computador de vídeo dedicado que recalcula cada quadro antes de ele chegar à tela.

A NEXTTHOUSE integra madVR em São Paulo. A decisão de compra é atípica: parte do que o Envy faz é hardware, e não se compra depois; parte é licença, que se compra depois, mas com prazo. Errar essa distinção é o erro que ninguém descobre na entrega, e sim dois anos depois, quando não há caminho de volta.

Processador de vídeo madVR Envy Extreme MK2 visto de frente, gabinete preto de alumínio escovado com orelhas de rack, botão circular à esquerda e logotipo madVR ao centro

O que a madVR representa

O núcleo do produto é o tone mapping dinâmico de HDR, e o mecanismo importa mais que o nome. Um filme em HDR é masterizado num nível de luz que nenhum projetor alcança, e alguém precisa comprimir aquela faixa até o que o equipamento mostra. O projetor faz isso de forma estática — uma curva para o filme inteiro — ou, nos melhores casos, uma curva por cena. O que sobra do lado claro vira branco chapado; do lado escuro, preto sem informação.

O Envy refaz essa decisão quadro a quadro, em 4K, em todos os modelos da linha. É o DTM 2.0, patenteado, com recuperação de highlight, de contraste e de detalhe de sombra, e caminho interno de 96 bits por pixel em ponto flutuante, 4:4:4, o que permite conta pesada em cada quadro sem banding.

Ele resolve o que o projetor faz mal, não o que faz pouco: quanto menos nits chegam à tela, mais o mapeamento estático esmaga o highlight. Não por acaso, o fabricante mantém guias de configuração específicos para JVC, Sony, Epson, Barco e XGIMI, além de painéis LG OLED e Samsung QD-OLED.

Escalonamento: são duas linhas diferentes, não uma

A confusão mais comum da marca vem da própria tabela oficial, onde escalonamento aparece em duas linhas distintas. O AI Upscaling tem teto de 4K60 em todos os modelos, inclusive no topo de linha. Já o upscaling para 5K e até 8K60 é restrito às configurações com Premium, ao Pro MK3 e ao Extreme MK3. Somam-se o croma sem ringing (4:2:0 para 4:4:4) e o DeintAI, desentrelaçamento por IA que salva acervo em Blu-ray e 1080i.

Aspecto, barras pretas e legenda

É o que o cliente percebe sem ninguém explicar. O Envy detecta proporção e barras pretas de forma automática e instantânea, inclusive quando o filme troca de formato no meio — o caso IMAX —, e faz NLS+, esticamento não-linear bidirecional. Também faz image shift e correção de convergência, em todos os modelos.

Legenda tem dois níveis. O Subtitle Management, em toda a linha, redimensiona a imagem para a legenda caber — resolve a legenda cortada em tela scope, mas mexe na imagem. O Dynamic Subtitle Overlay reposiciona e atenua a legenda sem redimensionar, e só existe a partir do Premium.

Calibração

O Envy aceita LUT 3D de até 256³ e LUT 1D de até 4.096 pontos, a 12 bits, pelo Envy Calibration Engine V2, compatível com Calman e ColourSpace. É ordem de grandeza acima do processamento interno de um projetor, e permite calibrar o conjunto: projetor, lente, tela e sala.

Hardware ou licença: a distinção que decide a compra

A tabela oficial tem seis colunas, mas são quatro plataformas de hardware: duas aparecem duas vezes, com e sem o pacote de licença. Quem não percebe isso compara linhas incomparáveis.

O que é licença — e portanto se compra depois

O Core Premium Pack não é placa nem módulo: é um pacote de recursos vinculado à unidade e transferível ao novo dono junto com a garantia restante. Nas duas gerações de Core ele destrava o upscaling 5K/8K, o Dynamic Subtitle Overlay, perfis ilimitados no lugar dos 50 do modelo base, redução por IA de artefatos de compressão, grão e ruído, banding e ringing, e a curva de ventoinha Custom. E dobra a garantia, de 2 para 4 anos.

Um detalhe de proposta, não de manutenção: o Premium só pode ser adicionado dentro de dois anos da compra do Envy Core. Passado o prazo, não há upgrade.

O que é hardware — e portanto não se compra depois

Dois recursos são exclusivos do Extreme MK3 e não existem como licença em nenhum outro modelo: o MotionAI, interpolação de movimento por IA calculada por pixel, e a Geometry Correction, correção de distorção de barril de lente anamórfica, de tela curva e de projetor fora de eixo.

A consequência é direta. Se o projeto tem tela curva, lente anamórfica com distorção de barril ou projetor fora do eixo, o modelo é o Extreme, sem caminho alternativo. Não adianta comprar o Pro e pagar licença depois: ela não é vendida. Toda a fileira mais avançada do roadmap declarado também está só na coluna do Extreme MK3.

Os 48G que operam como 18G

Esta é a informação mais útil e menos publicada da marca, e está numa nota de rodapé. O modelo se chama Core MK2 8K RDY 48G. A nota 12 da tabela oficial diz que o hardware é HDMI 2.1 48G completo, mas opera como HDMI 2.0 18G sem o Core MK2 Premium Pack.

A tabela confirma: a entrada do Core MK2 sem o Premium é declarada como 4K24 em 4:4:4 e 4K60 em 4:2:2, ambos a 12 bits — comportamento de 18 Gbps. O “48G” descreve o conector, não o que a unidade entrega na base, e o sufixo RDY, de ready, só aparece nesse modelo. O marketing do fabricante contradiz a tabela nesse ponto; a tabela dá razão à nota 12.

Com o Premium, a mesma placa entrega o que o conector promete: entrada em 12 bits 4K120 4:4:4 e 8K60 4:2:0, saída em 12 bits 4K120 4:4:4 e 8K60 4:4:4, VRR na entrada a partir de 1 Hz, QMS e QFT e Wake-On-HDMI, ligando a unidade ao detectar sinal.

A regra de projeto é simples. Havendo no ambiente um console de geração atual, um PC de jogos ou qualquer fonte que se pretenda usar em 4K120, o Premium não é acessório: é parte do produto. Ou os dois entram juntos na proposta, ou o projeto assume por escrito o teto de 18 Gbps — o meio-termo é o que gera reclamação.

A linha atual, modelo por modelo

Um aviso: as gerações não são sincronizadas entre as famílias. O Core está na segunda; o Pro e o Extreme, na terceira. “Core MK3” não existe. E a home do fabricante está desatualizada, apresentando como lineup atual modelos já substituídos.

Core MK1 e Core MK2 — chassi de 2U

O Core MK1 é o modelo de entrada e não saiu de linha: consta na tabela de 2026. CPU de 4 núcleos e 8 threads, 11.200 GFLOPS, entrada e passagem em HDMI 2.0 / HDCP 2.2 / 18G, 60 a 205 W, 50 perfis, garantia de 2 anos, remoto RC1. Faz o tone mapping quadro a quadro completo: o núcleo de imagem é o mesmo da linha inteira.

O Core MK2 8K RDY 48G o sucede no mesmo chassi: CPU de 6 núcleos e 12 threads, memória dual channel, 19.000 GFLOPS, conectores HDMI 2.1 / HDCP 2.3 / 48G na entrada e na passagem — com a ressalva acima — e 60 a 250 W. Ambos ocupam 2U, com 438 × 343 × 104 mm e 10,9 kg de envio.

Pro MK3 e Extreme MK3 — chassi de 4U

O Pro MK3 8K 48G substitui o Pro MK2. O processamento de imagem é o mesmo do Core MK2 com Premium: 19.000 GFLOPS, mesma CPU, mesma entrada e mesma saída. O que se compra a mais é construção e cobertura — memória ECC, chassi de 4U com 440 × 443 × 192 mm e 20,9 kg de envio, remoto RC2 retroiluminado, RF e IR, perfis ilimitados e garantia de 5 anos. Ele não tem página de produto no site do fabricante: existe só na tabela oficial e no press release.

O Extreme MK3 8K 48G substitui o Extreme MK2. Mesma CPU, memória ECC, chassi e garantia do Pro, com três diferenças de peso: 43.000 GFLOPS contra 19.000, tensor de 172.000 a 344.000 GFLOPS contra 77.000 a 154.000, e 60 a 450 W contra 250 W. São 21,8 kg de envio, e é onde moram MotionAI e Geometry Correction.

Como escolhemos entre eles

A escada da madVR não é de qualidade de imagem: é de capacidade de entrada e de recurso exclusivo.

  • Core MK1 — TV de alto padrão, projetor de curta distância, projetor de entrada. Havendo fonte 4K120 ou 8K, está descartado.
  • Core MK2 sem Premium — entrada travada em 18 Gbps. Só se especifica assim com o teto aceito de olhos abertos.
  • Core MK2 com Premium — o ponto de equilíbrio para media room e sala multiuso com console.
  • Pro MK3 — chassi de 4U, ECC, remoto retroiluminado e 5 anos de garantia, quando MotionAI e Geometry Correction não fazem falta.
  • Extreme MK3 — duas perguntas decidem. Tela curva, lente anamórfica com distorção de barril ou projetor fora de eixo? Então Geometry Correction. Esporte em 4K120 ou interpolação de movimento? Então MotionAI. Se a resposta às duas for não, o Pro entrega a mesma imagem.

O que saiu de linha

Extreme MK1 e Pro MK1 saíram de fabricação em abril de 2023, mas seguem com suporte e firmware declarados. O Extreme MK2 foi substituído pelo MK3, e o Pro MK2 pelo Pro MK3. Sobre migrar de geração, não há condição publicada.

O que a obra precisa ter antes do equipamento

Cabeamento HDMI — a parte que decide o projeto

É a maior causa de chamado da marca, e o irônico é que o documento de requisitos de cabeamento linkado na home está quebrado: o conteúdo real vive num guia de solução de problemas, onde ninguém procura antes de comprar. Levantamos isso antes de fechar proposta:

  • Display HDMI 2.1 exige cabo de 48 Gbps certificado — Premium Certified com holograma oficial, ou DPL Labs High Performance Reference Standard — mesmo que ninguém pretenda usar 4K120. O Envy detecta a capacidade 2.1 do display e negocia a taxa sozinho; um cabo de 18G aí produz queda intermitente, falha de handshake ou tela preta inclusive em 4K24. É a armadilha do display trocado com o cabo antigo mantido na parede.
  • Cabo com no mínimo 2 m. Contraintuitivo, mas o fabricante desaconselha cabo curto demais, que pode entregar sinal forte demais. Vale inclusive dentro do rack, onde a recomendação é cobre.
  • Acima de 4,5 m, fibra ativa, de preferência pré-terminada de fábrica, e direcional: a ponta “Source” vai no AVR ou no switch e a ponta “Display” na entrada do Envy.
  • Não usar fibra ativa saindo direto da fonteKaleidescape, players de disco e streamers frequentemente não alimentam o cabo. Se a fibra pedir alimentação, usar só a fonte do fabricante do cabo.
  • HDBaseT é desaconselhado por escrito: introduz compressão que o fabricante chama de inaceitável nesse nível de qualidade, não carrega as resoluções 5K/8K do Envy e é suscetível a interferência. Se for inevitável, exige Cat 6A sem emenda, keystone, punchdown, coupler ou ponta passthrough.
  • Sem como passar HDMI novo, havendo fibra ou conduíte, o caminho é kit extensor por fibra com sinal não comprimido, da AVPro Edge, em 18G, 40G e 48G.

Rodar 48 Gbps com display 2.1 permite travar a saída em 4K120 para todo conteúdo, reduzindo as trocas de taxa de quadros e os re-handshakes — os segundos de tela preta a cada início de filme.

Rack, ventilação e energia

À profundidade da unidade — 343 mm no Core, 443 mm no Pro e no Extreme — some 10 a 15 cm de folga traseira, mais o raio de curvatura do cabo HDMI, que num cabo de 48G rígido não é detalhe. Os modelos atuais podem ser montados sem espaço livre acima ou abaixo; mas o Pro e o Extreme puxam ar por duas ventoinhas embaixo, e montar sobre componente quente é problema com ou sem folga.

A elétrica favorece o Brasil: 100 a 240 V, 50–60 Hz, sem transformador em 127 ou em 220 V. O que pede atenção é o dimensionamento: o Extreme MK3 vai a 450 W de pico, contra 250 W do Pro e do Core MK2 e 205 W do Core MK1 — rack fechado com um Extreme dentro é problema térmico e de ruído em sala de cinema. E o LED frontal: no Pro e no Extreme uma chave sob o chassi o apaga, sem ajuste de brilho; no Core não é possível nem apagar nem escurecer.

Controle, remoto e sincronismo de áudio

Controle por IP funciona com Crestron, Control4, Savant e RTI em todos os modelos, desde que os equipamentos estejam na mesma rede local. O Envy não acorda do estado desligado pelo controle remoto: é preciso sistema de controle, Wake-On-LAN ou usar Standby. O Core vem com o RC1, que é só RF, e integração por infravermelho exige um receptor FLIRC USB de terceiro; o Pro e o Extreme vêm com o RC2 retroiluminado, RF e IR.

E o sincronismo labial. Processar vídeo insere atraso, que precisa ser compensado no AVR ou no processador de áudio. O fabricante recomenda o sincronismo automático quando ele existe — e, quando não existe, dá um número que ele mesmo contradiz três linhas depois, no mesmo parágrafo. Por isso não publicamos nenhum dos dois: com um processador que já tem atraso próprio, como um Trinnov, o atraso é somado e medido na obra.

O que o Envy não faz

Não comuta fontes. É uma entrada HDMI, uma passagem de latência zero e uma saída: a comutação continua sendo do AVR, do processador ou de um switch, e não se atende vários ambientes sem uma unidade por ambiente. E há a pegadinha da porta de passagem: se a fonte for ligada nela por engano, o Envy não processa nada e não mostra menu, e parece que o controle remoto quebrou.

Não tem latência publicada. O fabricante declara, no próprio guia, que não há medida disponível, porque depende do modelo, do estado do VRR e do sinal. Não existe número, nem para o modo de jogo. Onde a latência é compromisso contratual, não há como assumir a obrigação.

Não cria luz. Brilho, contraste nativo, lente, zoom e tamanho de imagem seguem sendo do projetor e da sala. Ele inclusive depende do instalador: é preciso informar o pico de luminância medido em cd/m² e, em alguns projetores, a resolução nativa real. O stretch anamórfico também é do projetor — o Envy recebe o fator de esticamento e exige que o do projetor seja desligado.

Não move mascaramento sozinho, ainda. A integração direta com AVR, display e mascaramento sem sistema de controle está marcada como “em breve” na tabela, assim como a ativação automática de memórias de lente JVC e Sony: hoje o caminho documentado é via sistema de controle, e não se fecha prazo em cima do que não saiu. As saídas DisplayPort estão na tabela como expansão futura e ainda não foram habilitadas — o fabricante nem se compromete com elas —, e o DSC na entrada ele marca como indefinido. Na mesma categoria está o Envy Commander, interface web gratuita apresentada em fevereiro de 2026 e ainda sem lançamento confirmado.

Perguntas frequentes sobre a madVR

O Core MK2 se chama 48G. Por que ele precisaria do Premium Pack?

Porque o “48G” do nome descreve o conector, não o que a unidade entrega de fábrica. A nota 12 da tabela oficial diz que o hardware é HDMI 2.1 de 48 Gbps completo, mas opera como HDMI 2.0 de 18 Gbps sem o Core MK2 Premium Pack — e a tabela confirma, declarando a entrada base como 4K24 em 4:4:4 e 4K60 em 4:2:2. Com o Premium, a mesma placa aceita 4K120 em 4:4:4, 8K60, VRR na entrada e Wake-On-HDMI. Se há console de geração atual ou PC de jogos, o Premium é parte do produto, não acessório.

MotionAI e Geometry Correction podem ser comprados depois, como licença?

Não. Esses dois são exclusivos do Extreme MK3 e não existem como licença em nenhum outro modelo — não há como adicioná-los ao Pro MK3 nem ao Core. É a distinção mais importante da marca: o Premium é licença e se compra depois, dentro de dois anos da compra da unidade; MotionAI e Geometry Correction são hardware, e se compram na hora ou nunca. Se a sala tem tela curva, lente anamórfica com distorção de barril ou projetor fora do eixo, o modelo é o Extreme; se não tem, o Pro MK3 entrega exatamente a mesma imagem.

Preciso trocar o cabo HDMI para instalar um Envy?

Provavelmente, e convém descobrir antes da proposta. Se o display é HDMI 2.1, o fabricante exige cabo de 48 Gbps certificado mesmo que ninguém pretenda usar 4K120: o Envy detecta a capacidade do display e negocia a taxa sozinho, e um cabo de 18 Gbps aí causa queda intermitente, falha de handshake ou tela preta até em 4K24. Há três regras que surpreendem: cabo com no mínimo 2 m; acima de 4,5 m, fibra ativa pré-terminada de fábrica e direcional; e nada de fibra ativa saindo direto de um player ou streamer, que muitas vezes não alimenta o cabo. HDBaseT o fabricante desaconselha por escrito.

O Envy substitui o AVR ou o processador de áudio?

Não. Ele tem uma entrada HDMI, uma passagem de latência zero e uma saída: a comutação de fontes continua sendo do AVR, do processador ou de um switch, e ele não faz áudio. Pelo contrário — o processamento de vídeo insere atraso, que precisa ser compensado no lado do áudio. Como o guia do fabricante dá dois valores conflitantes para esse atraso no mesmo parágrafo, o correto é medir o sincronismo na obra.

Meu projetor já é topo de linha. O Envy ainda faz diferença?

Faz, e às vezes faz mais. O tone mapping interno é onde bons projetores continuam limitados: decidem uma curva estática para o filme inteiro, ou no máximo uma por cena, enquanto o Envy decide quadro a quadro em todos os modelos da linha. Quanto menos luz chega à tela, mais essa diferença aparece. Some-se o que nenhum projetor faz: detecção instantânea de proporção e de barras pretas, esticamento não-linear bidirecional, tratamento de legenda em tela scope e calibração com LUT 3D de até 256³.

Projetos com madVR em São Paulo

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